Guia · Editais de fomento
Como funcionam as FAPs: o que as fundações estaduais financiam e como participar
A FAP é a agência de fomento que mora no seu estado — e só olha para quem está nele. É a fila mais curta do fomento público, e a maioria das empresas nunca ouviu falar dela.
O que é uma FAP e de onde vem o dinheiro
FAP é a sigla de fundação de amparo à pesquisa. É uma fundação pública, mantida pelo governo do estado, criada para financiar ciência, tecnologia e inovação no território. Na maioria dos estados a constituição estadual reserva uma fatia fixa da receita para a fundação, o que dá a ela um orçamento próprio e previsível, independente do humor do ano. Esse é o ponto: a FAP tem dinheiro que precisa ser aplicado em pesquisa e inovação dentro do estado, todo ano.
Por décadas o público foi a universidade. Isso mudou: hoje quase toda FAP tem programas para empresas, com dinheiro não reembolsável para desenvolvimento feito dentro do negócio, e opera programas nacionais que só chegam à empresa por meio dela. Como o recurso é estadual, o edital exige sede e execução no estado: você disputa com as empresas do seu estado, não com o país inteiro.
As FAPs de cada estado
A sigla muda de estado para estado, e reconhecer a sua é o primeiro passo. Esta é a lista que a seção /fomento usa; cada estado tem uma landing própria, como /fomento/uf/mg, com os editais abertos ali.
| Estado | FAP | Estado | FAP |
|---|---|---|---|
| Acre | FAPAC | Paraíba | FAPESQ |
| Alagoas | FAPEAL | Paraná | Fundação Araucária |
| Amapá | FAPEAP | Pernambuco | FACEPE |
| Amazonas | FAPEAM | Piauí | FAPEPI |
| Bahia | FAPESB | Rio de Janeiro | FAPERJ |
| Ceará | FUNCAP | Rio Grande do Norte | FAPERN |
| Distrito Federal | FAPDF | Rio Grande do Sul | FAPERGS |
| Espírito Santo | FAPES | Rondônia | FAPERO |
| Goiás | FAPEG | Roraima | Sem FAP ativa |
| Maranhão | FAPEMA | Santa Catarina | FAPESC |
| Mato Grosso | FAPEMAT | São Paulo | FAPESP |
| Mato Grosso do Sul | FUNDECT | Sergipe | FAPITEC |
| Minas Gerais | FAPEMIG | Tocantins | FAPT |
| Pará | FAPESPA |
As fundações se reúnem em um conselho nacional, que negocia com as agências federais as chamadas conjuntas. Roraima é o único estado sem fundação ativa; lá, os programas nacionais chegam por arranjos com o governo estadual ou com instituições parceiras, e as agências federais pesam mais.
O que as FAPs financiam, por público
Os programas mudam de nome de um estado para outro, mas cabem em poucos formatos. Reconhecê-los faz qualquer edital de FAP ser lido em minutos.
| Para quem | Formato | Como funciona |
|---|---|---|
| Empresa pequena | Pesquisa inovativa em pequena empresa | Subvenção em fases: primeiro provar a viabilidade, depois desenvolver. Um pesquisador responsável fica vinculado à empresa. É o modelo que a fundação paulista criou e as outras adotaram. |
| Empresa com problema técnico | Parceria empresa e universidade | A FAP financia o lado acadêmico; a empresa banca parte e fica com o resultado. Muitas vezes com a Embrapii ou a FINEP entrando junto. |
| Quem ainda não tem empresa | Ideação e empresa nascente | Programas nacionais em ciclos, operados pela FAP de cada estado: selecionam ideias, formam a empresa e liberam um recurso inicial. |
| Empresa que quer gente qualificada | Bolsa de pesquisador em empresa | A FAP paga a bolsa de um mestre ou doutor por um período; a empresa entra com a estrutura e a contrapartida. |
| Pesquisador | Bolsas e auxílios | Do mestrado ao pesquisador sênior, com vínculo em instituição do estado; auxílio financia o projeto, bolsa paga a pessoa. |
| Estudante | Iniciação científica e pós-graduação | Cotas distribuídas pelas universidades do estado, com edital interno. |
| Universidade e instituto | Infraestrutura e apoio institucional | Equipamentos multiusuário, redes de pesquisa, apoio a programas de pós-graduação e a eventos. |
| Setor específico | Chamada temática | Agro, saúde, energia, cidades: uma chamada pública por tema, às vezes com um parceiro que entra com dinheiro (secretaria, empresa grande, agência federal). |
Valores, percentual de contrapartida, número de fases e temas variam por estado e por edição. Nada disso é estável de um ano para outro, e por isso este guia não cita número: o que vale é o edital vigente, que aparece na landing do seu estado a partir de /fomento.
As chamadas nacionais que rodam "uma por FAP"
Uma parte importante do dinheiro da FAP não é dela: é federal, descentralizado. A FINEP, o CNPq e outras agências fecham acordo com o conselho das fundações, e cada FAP publica um edital para as empresas ou pesquisadores do seu estado, com as diretrizes nacionais e alguns ajustes locais. Os programas de ideação e alguns de subvenção a pequena empresa funcionam assim.
Na prática, isso significa que a mesma chamada aparece várias vezes, uma por estado, com regras quase iguais e prazos diferentes. Na seção /fomento essas edições são agrupadas: a chamada nacional lista uma vez como principal e as versões de cada FAP aparecem ligadas a ela, cada uma com o próprio prazo e público. Se a sua empresa é de um estado, é a edição daquele estado que vale.
O que as FAPs exigem
A elegibilidade de um edital de FAP tem uma cara previsível. Antes de abrir o formulário, confira cada ponto:
- Sede no estado, comprovada pelo CNPJ, e em muitos casos execução do projeto no estado também.
- Porte dentro do que o edital pede: alguns são só para ME e EPP, outros aceitam qualquer porte com contrapartida maior.
- Tempo de CNPJ dentro da faixa: mínimo em alguns programas, máximo nos de empresa nascente.
- Regularidade fiscal: CND, CNDT, FGTS, e sem pendência com o estado.
- Pesquisador responsável com formação compatível e vínculo com a empresa: sócio, empregado ou contratado para o projeto, definido antes da submissão.
- Cadastro no sistema da FAP: cada uma tem o seu, e a aprovação do cadastro pode levar dias.
- Projeto com risco tecnológico: a FAP não financia compra de máquina nem capital de giro; financia o que ainda não se sabe fazer.
- Sem prestação de contas pendente com a fundação ou com outra agência.
O pesquisador responsável merece atenção. Em vários programas ele é a figura central: assina o projeto, responde pela execução e pela prestação de contas. Uma empresa sem ninguém com esse perfil pode contratar ou se associar a um pesquisador, mas isso precisa estar resolvido antes da submissão.
Como participar: o ritmo que decide
Diferente de licitação, que sai todo dia, edital de FAP é evento raro. Um programa abre uma ou duas vezes por ano, aceita inscrição por poucas semanas e fecha. Quem descobre depois perde o ciclo inteiro. Por isso a preparação acontece fora do prazo:
1. Identifique a sua FAP e os programas para o seu público
Cada fundação tem uma página de programas. Veja quais são recorrentes: os que abriram nos últimos anos tendem a abrir de novo.
2. Faça o cadastro no sistema da fundação
Da empresa e do pesquisador responsável. É gratuito, mas a aprovação leva dias, e não dá para fazer na última semana.
3. Leia o último edital daquele programa
Mesmo fechado, ele mostra público, temas, formato do projeto, rubricas aceitas e critérios de avaliação.
4. Prepare o projeto e a equipe antes
Objetivo, justificativa técnica, plano de trabalho e orçamento em versão de trabalho. Quando o edital abrir, você adapta em vez de começar do zero.
5. Mantenha a regularidade o ano inteiro
A certidão é conferida na inscrição e de novo na contratação. O guia dos documentos vale igual aqui.
6. Acompanhe a abertura
Em /fomento os editais das FAPs entram na lista assim que são lidos das fontes, com o prazo. Nos planos pagos, o alerta pelo CNPJ avisa quando abre um que se encaixa na sua empresa e no seu estado.
Os erros mais comuns com edital de FAP
- Achar que é só para universidade. A maioria das FAPs tem programa para empresa, e a fila é curta justamente porque poucas empresas sabem.
- Deixar o cadastro para a última semana. O sistema da fundação aprova cadastro em dias, e o prazo não espera.
- Pesquisador responsável "emprestado". Vínculo criado depois da submissão não vale, e a mesma pessoa em várias propostas é reprovação.
- Ignorar a prestação de contas. Uma pendência com a fundação bloqueia a empresa nas chamadas seguintes, inclusive nas federais que rodam por ela.
Os editais das FAPs abertos no seu estado
Como a sede decide, o jeito mais útil de olhar o fomento é por estado. A seção tem uma landing por UF, de /fomento/uf/sp e /fomento/uf/mg a /fomento/uf/pa e /fomento/uf/ce, com os editais abertos ali e os nacionais que aceitam empresa de qualquer estado. Qualquer visitante vê o que cada edital é, o valor e o prazo; com uma conta gratuita, todos os requisitos.
Nos planos pagos, o alerta chega pelo CNPJ, com porte, estado e ramo cruzados na régua "você se encaixa", e cada edital entra no funil com o link oficial e a fonte. A régua completa está em /recursos/fomento, os planos em /precos e as fontes acompanhadas em /fomento/fontes. Para o caminho federal, veja como conseguir subvenção da FINEP.
Perguntas frequentes
- O que é FAP?
- Fundação de amparo à pesquisa: a fundação de cada estado que financia ciência, tecnologia e inovação no território, com programas para universidades, pesquisadores, estudantes e, cada vez mais, para empresas sediadas no estado. Veja o verbete FAP.
- Empresa de outro estado pode participar de edital de FAP?
- Na maioria dos casos, não: o recurso é estadual e o edital exige sede e execução no estado. Há exceções em chamadas conjuntas com agências federais. Confira o público e a região em cada edital.
- Todo estado tem FAP?
- Todos, menos Roraima, que não tem fundação ativa. A sigla muda de estado para estado; a lista completa está neste guia e na landing de cada UF em /fomento/uf.
- O dinheiro da FAP precisa ser devolvido?
- Nos programas de subvenção, bolsa e auxílio, não: é recurso não reembolsável, condicionado à execução e à prestação de contas. O edital sempre diz o tipo de instrumento.
- Preciso de um pesquisador para concorrer?
- Em muitos programas para empresa, sim: um pesquisador responsável com formação compatível e vínculo com a empresa, definido antes da submissão. Ele pode ser sócio, empregado ou contratado para o projeto.
Os termos deste texto, explicados
Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.
- Fundação de amparo à pesquisa (FAP)É a fundação que cada estado mantém para financiar ciência, tecnologia e inovação no próprio território — a FAPESP em São Paulo, a FAPEMIG em Minas, a FAPERJ no Rio, e uma equivalente em quase todo estado. Nasceram para a universidade, mas hoje a maioria tem programas para empresas: subvenção em fases para pequena empresa, bolsa de pesquisador dentro da empresa, apoio a empresa nascente e chamadas por tema.
- Subvenção econômicaÉ dinheiro público colocado diretamente na empresa para ela desenvolver algo que ainda não existe — produto, processo, software — e que não precisa ser devolvido se o projeto for executado como combinado. A Lei de Inovação é o que permite ao Estado fazer isso com empresa privada. É o tipo de fomento mais procurado, e o de regras mais rígidas.
- Chamada públicaÉ o nome que agências e órgãos dão ao edital quando o objetivo é selecionar projetos, parceiros ou fornecedores por regras publicadas, sem lance: quem cumpre os requisitos se inscreve, e uma comissão escolhe pelos critérios anunciados. Aparece em três lugares: no fomento (as chamadas de FAPs e agências federais), nas parcerias do poder público com associações e ONGs (o chamamento público) e na compra da merenda da agricultura familiar.
- ElegibilidadeÉ a lista de quem pode participar: porte, natureza jurídica (empresa, MEI, associação, pessoa física), sede em determinado estado ou município, tempo mínimo de CNPJ, ramo, e regularidade fiscal. É a habilitação do fomento, com uma diferença: é conferida de todo mundo, antes da avaliação do projeto — quem não é elegível não é lido, por melhor que seja a ideia.
- ContrapartidaÉ a parte do custo do projeto que sai do seu bolso. O edital fixa um percentual mínimo, em geral menor para empresa pequena, e aceita duas formas: a financeira (dinheiro que a empresa põe no projeto) e a econômica ou não financeira (horas da equipe, uso de equipamento e espaço próprios, insumos que a empresa já tem). Em cultura, a contrapartida costuma ser social — uma oficina ou apresentação gratuita para a comunidade.
- ProponenteÉ quem apresenta o projeto e responde por ele: assina a inscrição, recebe o dinheiro e presta contas. Em inovação, costuma ser a empresa, muitas vezes com um pesquisador responsável vinculado a ela. Em cultura, pode ser pessoa física, MEI, coletivo representado por alguém ou produtora. Cada edital diz quem pode ser proponente e quantas propostas cada um pode enviar.
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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.